De Cara Nova… pero no mucho


Red Bull na cabeça. De novo. 

A temporada 2012 da Formula 1 vem se mostrando diferente em vários aspectos. Mas não tanto assim. Finalmente uma equipe conseguiu emplacar uma segunda vitória, embora nenhum piloto vencedor ainda tenha se repetido. Um recorde absoluto na história da F1: 6 vencedores diferentes nas seis primeiras corridas. De longe, o início de temporada mais embolado e emocionante da história. Mas uma equipe já conseguiu botar seus dois pilotos no topo do pódio. E essa equipe foi – adivinhem? – a Red Bull. Déja vu?

A equipe austríaca mandou bem com seus dois pilotos. Mark Webber contou com um pouquinho de sorte e herdou a pole position de Michael Schumacher, que fez a volta mais rápida no qualifying mas perdeu 5 posições como punição pelo acidente com Bruno Senna na Espanha. Largando na frente em um circuito onde é praticamente impossível ultrapassar, Webber fez o que tinha que fazer. Pilotando de cara pro vento, conseguiu abrir uma boa vantagem para se manter na frente após as trocas de pneus, sem cometer erros. Não era o serviço mais difícil do mundo, e ele o executou com competência. Sebastian Vettel se apoiou na boa estratégia de corrida montada pela equipe, depois de um qualifying desastroso, e acabou com um lucro milionário na quarta posição. O alemão largou com pneus macios, enquanto a esmagadora maioria do grid largava de supermacios, e foi o último a parar nos boxes. Além disso, ganhou posições com a punição a Maldonado (que perdeu 10 posições no qualifying) e com o enrosco entre Grosjean e Schumacher logo na primeira volta.

E por falar em Maldonado, parece que o venezuelano da Williams voltou ao normal depois do surto de Barcelona. Sim, meus caros, parece que tudo não passou de um mal-entendido, e o bom e velho “Maldanado” está de volta. Pastor largou lá atrás devido a uma punição por excesso de zueira nos treinos livres, e logo de saída arrumou um enrosco com Pedro De La Rosa. O resultado foi mais um carro destruído e mais uma corrida sem pontos. Bom, nem preciso dizer o quanto isso foi bom para o Bruno Senna, certo? Bruno fez um qualifying fraquíssimo, mas conseguiu se recuperar e deu o azar de ficar preso no tráfego atrás de carros mais lentos (leia-se Kimi Raikkonen). O que importa é que Bruno conseguiu cruzar a linha de chegada na zona de pontuação, o que vem se tornando (quase) uma rotina. O único problema é que as vitórias de Bruno sobre o companheiro de equipe têm sido muito mais culpa dos disparates do venezuelano do que de uma boa performance do brasileiro. Senna ainda está sob observação, e de olhos bem atentos.

Joinha, Bruno? 

Para completar a gira latinoamericana, faltou falar de Sergio Pérez. O mexicano se atravessou na frente de Raikkonen para entrar nos boxes e levou um drive-through, mas merece aplausos por ter sido o único a promover um pouco de emoção na corrida com tentativas de ultrapassagem. Graças a Pérez, o GP de Mônaco não foi uma procissão. Gracias, Checo!

Raikkonen, por sinal, liderou um pelotão de carros mais rápidos durante boa parte da corrida (que sonozzzzzzzzzz…). O que, de qualquer maneira, foi melhor do que a lambança que seu companheiro de equipe conseguiu arrumar logo após a largada. Pois é, Grosjean abandonou de novo. E a Lotus, que tanto prometia, está se afastando do pelotão da frente, assim como a Mercedes.

Lotus: ficando pra trás

Não que a briga pelo mundial de pilotos não esteja acirrada. O milagreiro Fernando Alonso, que conseguiu outro pódio com a Ferrari, está na frente com 76 pontos, seguido pelos dois pilotos da Red Bull, ambos com 73. Logo atrás vem Lewis Hamilton, com 63 pontos. Na casa dos 50 estão Nico Rosberg (59) e Kimi Raikkonen (51). A quem interessar, Massa está em 14º com 10 pontos, atrás de Bruno Senna, com 15. Pois é, pessoal. Após 6 corridas, Massa não é nem sequer o brasileiro mais bem colocado no mundial. E isso que seu compatriota tem pouco mais da metade dos pontos do companheiro de equipe. Que fase…

A próxima parada dessa eletrizante temporada é no Canadá, daqui a duas semanas. Ano passado, Jenson Button levou a melhor lá. Mas alguém acredita que esse resultado possa se repetir? Eu, sinceramente, não. Do jeito que vão a McLaren e o Jenson, está mais fácil apostar numa vitória do Felipe Massa. OK, pensando bem, Button não está tão mal assim. Mas o mais importante é que o fuso horário canadense é quase igual ao nosso, o que significa que ninguém precisa acordar cedo pra ver a corrida! #todascomemora

O P1 ama Gilles Villeneuve. E o circuito lindo que leva seu nome.

Por falar em acordar cedo, está na hora de curar a ressaca das festchénhas monegascas e partir pro tudo ou nada no circuito Gilles Villeneuve. Com a inspiração desse gênio, aliás, eu confesso que tendo a apostar minhas fichas em um certo espanhol que soltou essa pérola no Twitter no último domingo, após a corrida:

@alo_oficial: “El mejor guerrero no es el que triunfa siempre, sino el que vuelve sin miedo a la batalla.”

Pois que venha a próxima batalha!

Fernando Alonso preparado pra batalha do champanhe

PS: Já que o povo adora mandar no que a Ferrari devia ou não devia dizer no rádio, eu acho que, depois desse tweet, o Rob Smedley devia dizer no rádio do seu piloto: Felipe, Fernando is smarter than you. Sem mais.

Começou!

Finalmente! Depois de longos meses de espera, a temporada 2012 da Formula 1 começou. Agora, algumas das interrogações que vinham enchendo nossas cabecinhas finalmente começam a se esclarecer.

Para começar, a maior novidade da temporada: os bizarros bicos rebaixados. Ao que parece, a alteração de uma regra de segurança acabou favorecendo a McLaren, que (coincidentemente) já tinha um chassi naturalmente mais baixo que os outros. Se isso tem alguma coisa a ver com algum mexe das internas para abalar a hegemonia da Red Bull, é caso para nossas mentes paranoicas continuarem imaginando teorias da conspiração. A propósito do resultado estético pavoroso dessa novidade, eu ouvi, durante a corrida, um comentário mais ou menos assim: “a Formula 1 não vai resistir a manter carros tão feios.” Confesso que achei a observação engraçadíssima, mas fiquei me perguntando se não teria um fundo de verdade. Afinal, o que é mais importante para a categoria mais prestigiada do mundo? Proteger seus pilotos ou ter os carros mais lindos? A conferir.

Ainda na seara da vitoriosa McLaren, eu tenho que dizer que me dá uma certa dor no coração ver o Hamilton arrebentando no qualifying, pra depois fazer uma largada pífia e jogar a corrida no colo do administrador de carros Jenson Button. Eu sei que o estilo de pilotagem do Button é esse e blá blá blá, e ele dá resultado assim, e já foi campeão do mundo. Mas realmente não me enche os olhos, e eu ainda reluto em colocá-lo no rol dos grande pilotos do grid. Principalmente porque era impossível não ser campeão no ano em que ele foi: pilotando aquele carro da Brawn que era uma uva e tendo o Rubens Barrichello como companheiro de equipe.

De qualquer maneira, a cara de cobre* do Hamilton ao final da corrida não foi justificável. O próprio Vettel, que vinha de uma superioridade absurda na temporada anterior, ganhando tudo, e na primeira corrida da temporada teve que ralar um bom bocado pra chegar em segundo, estava feliz da vida. Provavelmente por ter percebido que a imensa vantagem da Red Bull com relação aos outros carros já se foi totalmente pelo ralo. A verdade é que, apesar de Button ter largado na frente, a temporada a recém começou e Hamilton ainda deve contar com suas benesses dentro da McLaren. É hora de, pelo menos fora das pistas, ter paciência.

Button e Vettel no pódio: só alegria

Outro momento fuéns foi a saída prematura de Romain Grosjean, quando todo mundo estava curioso pra ver até onde a nova Lotus (ex-Renault) poderia chegar. A frustração foi maior ainda pelo desempenho fraco de Kimi Raikkonen.

Mas a grande decepção da corrida, na minha opinião, foi o desempenho da Mercedes. O carro parecia muito bem nascido, mostrou clara superioridade com relação à Ferrari nos treinos livres, e ameaçava rivalizar com a Red Bull. Mas, na hora da corrida, Schumacher acabou fora e Rosberg se perdeu. Vamos esperar para ver se não vai ser mais um ano de “quase” para os alemães.

E se a grande decepção do domingo foi a Mercedes, o que sobra para Felipe Massa? (#trollface) Bom, para mim pessoalmente não foi uma decepção, simplesmente porque não havia expectativas. O desempenho de Massa vem sendo frustrante não é de hoje, e o seu enrosco bisonho com Bruno Senna foi apenas mais uma demonstração disso.

Bruno Senna, aliás, saiu num lucro de 100000% no final da corrida. Na verdade, ele praticamente acertou na loteria na última volta, quando seu companheiro de equipe Pastor Maldonado, que andava pra cruzar a linha de chegada em sexto (!) lugar, errou e jogou sua Williams no muro. Tudo bem que a superioridade do “Maldanado” já era esperada com relação ao Bruno, em vista de seu um ano a mais de experiência na equipe. Mas, estreante ou não, é sempre bom começar a temporada sem levar uma lambada do companheiro de equipe.

Bruno Senna: mais sorte que juízo

Na verdade, ainda é cedo para fazer maiores previsões. A temporada é longa e o GP da Austrália mostrou algumas mudanças no status quo que ainda parecem confusas e carecem de confirmação. A McLaren está mesmo um degrau acima? A Red Bull tem mais para mostrar? A Mercedes vai deslanchar? A Lotus vai se colocar no pelotão da frente? A Ferrari foi realmente pro brejo? A Hispania vai conseguir ficar dentro do limite de 107% em alguma corrida? (OK, eu sei, who cares about Hispania?)

Após o primeiro GP da temporada, eu só tenho uma certeza: alguém precisa dar um vidro de xarope pra garganta pro Galvão Bueno! Porque ficar a corrida inteira com aquela voz de novo não tem condições.

Até a Malásia!

*Para maiores esclarecimentos, vide a tabela periódica