Sete

Hamilton no sétimo céu

Sete. Um número para não ser esquecido na história da Formula 1. Pela primeira vez em todos os tempos, o campeonato da categoria mais nobre do automobilismo mundial começa com 7 vencedores diferentes nas 7 primeiras corridas. Um recorde.

A honra dessa vez coube a um amigo íntimo das vitórias. O britânico Lewis Hamilton faturou o GP do Canadá e, de quebra, assumiu a ponta do mundial, dois pontos à frente do espanhol Fernando Alonso. Apenas um ponto atrás de Alonso, o atual campeão Sebastian Vettel segue em terceiro. O mundial de pilotos continua embolado e ainda é impossível prever um favorito ao título, com 3 pilotos de 3 equipes diferentes separados por apenas 3 pontos – e a F1 segue mais numerológica do que nunca.

Trio Parada Dura

Hamilton foi competente em colaborar com a boa estratégia de trocas de pneus da McLaren, aproveitando para fazer voltas rápidas quando estava sem tráfego à frente. Além disso, contou com falhas de Ferrari e Red Bull, que tentaram uma estratégia mambembe de uma parada só, e chegaram ao fim da corrida se arrastando.

Vettel, por sinal, conseguiu evitar um prejuízo maior com uma parada a 7 voltas do fim. Já Fernando Alonso, que tinha cerca de 15 segundos de vantagem para Hamilton a 10 voltas do final, insistiu em levar seus pneus carecas até a linha de chegada e acabou sendo ultrapassado por diversos carros, saindo da liderança para o quinto lugar. Não se pode negar que o espanhol pensou no campeonato. De qualquer maneira, a diferença de dois pontos para Hamilton no mundial é praticamente um empate técnico. Mas, se Alonso tivesse parado na hora em que sua Ferrari começou a andar na casa de 1:21, poderia talvez até ter salvado um pódio. Foi um erro catastrófico de estratégia da Ferrari, que pode ter custado pontos preciosos do seu candidato a campeão.

Alguém empurra essa Ferrari aí

Nâo que erros da Ferrari sejam uma grande novidade este ano. A equipe italiana vive numa draga sem precedentes. Porém, sempre fica a impressão de que o melhor possível será feito para o piloto postulante ao título. Até porque, com relação a Felipe Massa, não seria de se estranhar se a equipe já tivesse jogado a toalha. Justamente quando Massa conseguiu um bom qualifying, largando em sexto e disputando posições nas primeiras voltas, um erro colocou tudo a perder. O brasileiro perdeu a traseira sozinho e rodou, jogando a corrida direto no lixo. Resultado: o brasileiro é apenas o 14.º colocado no mundial de pilotos, atrás de – pasmem – Bruno Senna. Por pior que a Ferrari esteja na temporada 2012, não podemos esquecer que o outro piloto da escuderia está disputando o título. Por qualquer ângulo que se veja, é pouco. Muito pouco.

Bruno Senna, por sinal, também teve um fim de semana esquecível. Apesar de ficar à frente de Maldonado no qualifying, o brasileiro não conseguiu fazer sua Williams andar sequer no pelotão intermediário, terminando em 17.º. Bruno faz questão de dizer que não sente a pressão por vitórias em seu primeiro ano na equipe inglesa. Mas é impossível negar que a vitória do venezuelano pesa. Especialmente quando Bruno ainda não se aproximou do pódio e vem colecionando alguns erros bobos. Menos mal que Senna foi laureado com o troféu Lorenzo Bandini de promessa da F1, o que certamente conta pontos a seu favor dentro da equipe. Mas é bom lembrar que, enquanto isso, pilotos novatos de equipes intermediárias estão batendo ponto no pódio, como aconteceu com Pérez e Grosjean no Canadá.

Sergio Pérez: sangue novo no pódio

E para completar as aventuras desconcertantes de Montréal, o episódio do bullying sobre Jacques Villeneuve: o ex-campeão mundial filho do gênio que dá nome ao autódromo canadense teve a coragem (que, diga-se de passagem, lhe é peculiar) de verbalizar o tédio mortal que todos os espectadores estavam sentindo lá pelas tantas do GP do Canadá. Perguntado pelo repórter da Globo, Carlos Gil, o que estava achando da corrida, Jacques disparou: “A corrida está chata”. Cinco minutos depois, um show de reviravoltas deixou a corrida eletrizante. E a imprensa brasileira em peso crucificou o coitado. Não sei se é o caso de uma rixa pessoal ou se as pessoas realmente não se deram conta do timing. O fato é que, na hora da entrevista com Jacques, a corrida realmente estava um porre. Coincidentemente, foi só o ex-campeão falar isso e, cinco minutos depois, o que antes era uma procissão virou uma das corridas mais emocionantes do ano. Ficou engraçado? Ficou. Mas nada que justificasse os #chupavilleneuve que pulularam no Twitter logo depois.

“Olha minha cara de preocupação”

 A seguir, GP da Europa em Valência, na Espanha. Don Fernando Alonso corre em casa, de novo. O que isso que dizer? Se a Ferrari deixar, dia 24 saberemos.

Anúncios

No Outro Lado do Mundo

Segundo David Coulthard, perdendo a virgindade na F1

Dessa vez não teve chuva, nem safety car, nem o embromation de 1 hora do Galvão Bueno. Mas se teve uma coisa que não faltou no GP da China de F1, foi emoção. Embora a primeira parte da corrida tenha sido dominada pelas estratégias de paradas nos boxes, a verdade é que vários pelotões permaneceram colados durante todo o tempo, e o final reservou boas disputas de posições.

Os (chatíssimos) partidários do “Lá vem o Schumi” viveram seu momento fuéns mais uma vez. E não apenas porque o alemão abandonou a prova logo nas primeiras voltas e Nico Rosberg conseguiu sua primeira pole na carreira. O alemãozinho continuou surfando na onda do ineditismo por todo o fim de semana: conseguiu a primeira vitória da carreira, depois de 111 GPs (tenho a leve impressão que o número 1 é o seu número da sorte), e presenteou o pai Keke Rosberg com outro recorde. Keke tornou-se o primeiro piloto de F1 a ver seu filho vencer uma corrida.

Keke aponta para o pequeno Nico um futuro vitorioso

Além dos números positivos, Nico Rosberg também deu uma bela ajuda para a reputação da Mercedes. Se alguém ainda acha que se trata de um carro que só vai bem no qualifying, está na hora de rever seus conceitos. Aliás, sou só eu ou alguém aí está começando a sentir um cheiro de Brawn nessa Mercedes de 2012? A conferir.

Quem também fez bonito na China foi Bruno Senna. O brasileiro parece ter gostado dessa coisa de pontuar, e conseguiu melhorar 7 posições para terminar a corrida em sétimo. Se Bruno (ou seria melhor dizer, a Williams) ainda vem deixando a desejar nos treinos classificatórios e segue tendo espaço para melhoria nas largadas, seu desempenho em corrida tem sido excepcional.

Número 1? Quem sabe daqui a pouco

Continuando na zona brazuca, o que comentar sobre Felipe Massa? Em um dado momento da corrida, Massa estava segurando uns quinze carros atrás dele. OK, eu estou exagerando, mas é só pra vocês conseguirem imaginar melhor a cena. O desempenho da sua Ferrari era claramente inferior ao de carros que até ontem nem ousariam rivalizar com a scuderia. Tudo bem que nesta temporada 2012 muita coisa mudou, mas ainda está difícil acreditar nessa várzea em que a Ferrari se transformou. Para piorar tudo, bem na hora em que a brilhante estratégia de paradas de Massa ia dar uma reviravolta na sua corrida, já que ele havia deixado um set de pneus macios novinhos pra usar na última perna do GP, o que acontece? Vocês têm uma chance pra adivinhar a palavrinha de cinco letras. Pois é, meus amigos, ela mesma: FUÉNS!

Nem com reza braba, Felipe

Depois de 3 corridas disputadas, o GP chinês, ironicamente, pode ter demonstrado que a F1 vive um novo mundo em 2012. A Mercedes se solidifica, e Nico Rosberg desponta enquanto Schumacher vai ficando pelo meio do caminho. A McLaren continua correndo atrás, seguida pela Red Bull (que provavelmente já nem lembrava o que era isso e ainda tropeça um pouco tentando achar um novo passo). A Ferrari se afunda cada vez mais na própria várzea. Enquanto os italianos prometem um carro novo para a temporada europeia, Fernando Alonso dá show com uma máquina sofrível, enquanto Felipe Massa continua sendo esse Felipe Massa que ninguém quer ver. As Williams vêm se mantendo acima das expectativas, e as Lotus, abaixo. E os duzentos campeões mundiais que povoam o grid ainda não disseram exatamente a que vieram.

Flying lap: David Coulthard esbanjando irreverência ao parabenizar Nico Rosberg pela primeira vitória na carreira. @therealdcf1 Delighted to see Nico losing his F1 virginity.”

Derrapada: A poluição e o vazio de Shangai. Apesar de todos os esforços da Formula 1 para manter uma imagem eco-friendly, correr no meio da nuvem cinza que é a atmosfera chinesa causou péssima impressão. Sem contar as arquibancadas desertas vazias, que só chegaram a (quase) encher no domingo. É um público escasso demais para um país de mais de um bilhão de habitantes.

Bahrein, aí vamos nós

Daqui a pouquinho tem GP do Bahrein, que vai merecer um post à parte antes mesmo de acontecer. Não sei se são os misteriosos ares do Oriente, mas a F1 até agora vive um mundo totalmente diferente em 2012. Vamos ficar de olho, que vem muita emoção por aí.